Tarifa dos EUA leva madeireira de MT dá férias coletivas a 130 funcionários

Representantes do setor afirmam que não há alternativas viáveis a curto prazo para absorver a produção que seria destinada aos EUA. Entre janeiro e julho, o estado exportou 16 mil toneladas de madeira, sendo que 40% aos Estados Unidos.


Por Rota Araguaia em 14/08/2025 às 08:25 hs

Tarifa dos EUA leva madeireira de MT dá férias coletivas a 130 funcionários
Reprodução

Redação

Uma indústria madeireira de Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá, concedeu férias coletivas a 130 funcionários após a entrada em vigor, no último dia 6, da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Apenas 20 trabalhadores permanecem em atividade.

Segundo o proprietário da empresa, Rafael Mazon, cerca de 7 mil metros cúbicos de madeira estão estocados no pátio, sem previsão de escoamento. Ele afirma que, com a nova taxação, a operação se tornou inviável e há risco de fechamento.

— Essa tarifa torna inviável a nossa permanência no mercado, principalmente porque os Estados Unidos são um grande consumidor em escala e volume. A América do Sul até consome, mas não tem a mesma demanda da economia americana — declarou Mazon.

A empresa avalia transferir sua planta para o Paraguai, que não foi incluído na nova política tarifária norte-americana.

Impacto no setor
De acordo com o Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira de Mato Grosso (Cipem), o estado possui 523 indústrias de madeira beneficiada, que juntas empregam cerca de 20 mil trabalhadores.

Entre janeiro e julho, Mato Grosso exportou 16 mil toneladas de madeira, sendo 40% destinadas aos Estados Unidos, especialmente espécies nativas como Ipê e Cumaru, usadas na fabricação de pisos e decks.

O presidente do Fórum Nacional das Atividades de Base Florestal (FNBF), Frank Almeida, afirmou que não há alternativas imediatas para absorver o volume que deixará de ser enviado ao mercado norte-americano, e que a medida gera incertezas sobre o futuro do setor no estado.

 

O “tarifaço” em Mato Grosso
A tarifa de 50% foi anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e já afeta diversos segmentos exportadores de Mato Grosso, incluindo madeira, grãos e carnes. Segundo o Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso (Sindifrigo), a estratégia para minimizar os impactos é manter a produção e ampliar parcerias com mercados asiáticos, como Coreia do Sul, Vietnã e Japão.



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